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Literatura Portuguesa

A disciplina de Literatura Portuguesa é uma disciplina bienal estruturante da Formação Específica do Curso Científico-Humanístico de Línguas e Literaturas, nos 10.º e 11.º anos ou nos 11.º e 12.º anos. Constitui uma novidade no elenco de disciplinas da Revisão Curricular, na medida em que surge autonomamente, não dividindo o espaço letivo com o ensino da língua portuguesa.

A alteração das perspetivas e circunstâncias curriculares, por convidar a uma reconfiguração da literatura escolar, cria espaço para uma reordenação dos seus valores prioritários, bem como para uma interrogação das suas funções no elenco das disciplinas e na formação das jovens gerações. Cria ainda a possibilidade de modificar atitudes e perspetivas profissionais nos professores de literatura, conseguindo, com isso, efeitos transformadores nas práticas letivas no contexto da revisão curricular. Daí que seja necessário fortalecer convicções relativamente às potencialidades e, consequentemente, às dimensões prioritárias da educação literária.

Assim, pretende-se que o aluno, no final deste programa, saiba usar instrumentos teóricos, leia de diferentes modos, articule discursos sobre o literário de forma frequente e progressivamente mais consistente, consolide hábitos de leitura, progrida nas escolhas estéticas, refine gostos, selecione progressivamente mais e melhores textos, e que, através deste percurso, possa aceder a uma cultura literária que lhe permita ler, com autonomia, outros textos, no seu percurso de vida.

Importa então valorizar uma visão linguística, cultural e artística da literatura e, particularmente, do ensino da literatura, no sentido de poder garantir conhecimentos, experiências e hábitos fundamentais, necessários aos adolescentes que hoje frequentam a escola, para que possam ser membros de direito de um património comum. Através do encontro com os textos de diversos géneros e tipologias, esses conhecimentos podem fortalecer-se, diversificar-se, aprofundar-se, abrindo as portas a novas descobertas, potenciando a autonomia de cada indivíduo na sua relação com a literatura.

Não será possível, assim, dissociar o ensino da literatura da experiência individual de leitura, na medida em que esta possibilita uma atitude cooperante com os textos sob as formas de interpelação e de envolvimento. A leitura dos textos literários constitui uma componente relevante na formação do aluno através do prazer estético e da descoberta de si e do mundo que pode proporcionar.

Excerto do Programa de Literatura Portuguesa (10.º e 11.º ou 11.º e 12.º anos), Curso Científico-Humanístico de Línguas e Literaturas de Maria da Conceição Coelho (Coordenadora), Maria Cristina Serôdio e Maria Joana Campos (programa homologado em 26/03/2001).

 

Língua Portuguesa

“A palavra falada é um fenómeno natural; a palavra escrita é um fenómeno cultural. O homem natural não pode viver perfeitamente sem ler nem escrever. Não o pode o homem a que chamamos civilizado: por isso, como disse, a palavra escrita é um fenómeno cultural, não da natureza mas da civilização, da qual a cultura é a essência.” (Fernando Pessoa)

A Língua Portuguesa é conhecida como "a língua de Camões" (em homenagem a uma das mais conhecidas figuras literárias de Portugal, Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas) e "a última flor do Lácio" (expressão usada no soneto Língua Portuguesa, do escritor brasileiro Olavo Bilac). Miguel de Cervantes, o célebre autor espanhol, considerava o idioma "doce e agradável".

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (sigla CPLP) consiste em nove países independentes que têm o português como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

O português é também uma das línguas oficiais da região administrativa especial chinesa de Macau (ao lado do chinês) e de várias organizações internacionais, como o Mercosul, Organização dos Estados Ibero-Americanos, a União de Nações Sul-Americanas, a Organização dos Estados Americanos, a União Africana e da União Europeia.



“A linguagem faz-se para que nos sirvamos dela e não para que a sirvamos a ela”, escreve Fernando Pessoa, assim como afirma de forma veemente:

“A minha pátria é a língua portuguesa!”

“Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda criança, li pela primeira vez numa seleta, o passo célebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palácio..." E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso; depois rompi em lágrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais — tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda choro. Não é — não — a saudade da infância, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.

Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. (…) Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, …

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.”


Texto publicado originariamente em "Descobrimento", revista de Cultura n.º 3, 1931, pp. 409-410, transcrito do "Livro do Desassossego", por Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), numa recolha de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha; ed. de Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Ática, 1982 vol. I, p. 16-17.

 
   
     
   

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